Futebol

24 fevereiro 2021, 16h30

Jorge Jesus

ANTEVISÃO

Jorge Jesus lançou o desafio com o Arsenal, da 2.ª mão dos 16 avos de final da Liga Europa, marcado para quinta-feira, às 17h55, no Estádio Georgios Karaiskakis, em Atenas. Em conferência de Imprensa, no Benfica Campus, o treinador enfatizou que todos os benfiquistas deviam estar juntos e sublinhou que os jogadores "precisam de carinho".

Na antevisão, Jorge Jesus garantiu que o Benfica vai disputar a eliminatória crente na passagem, elogiou a qualidade dos gunners, não revelou com que sistema tático vai a jogo e assegurou que acredita no projeto que abraçou em julho.

Jorge Jesus

Que expectativas tem para esta 2.ª mão, depois do empate em Roma?

As expectativas são as melhores. São as melhores porque temos capacidade para disputar este jogo, garantir o apuramento e continuar nesta competição. A confiança é total, o respeito pelo adversário também. Antes do primeiro jogo já acreditávamos que podíamos disputar esta eliminatória e é isso que vamos fazer à Grécia: disputar esta eliminatória, acreditando que podemos passar. É uma final. Estas eliminatórias são finais para ambos, temos de eliminar adversário a adversário. Está tudo em aberto para o Arsenal e para o Benfica, e acreditamos ter capacidade para disputar esta final taco a taco. Vamos preparados, com esperança, acreditando no nosso valor e sabendo que vamos defrontar uma equipa de Champions.

"Não somos culpados destes resultados desportivos, porque nada tiveram a ver com incapacidade de trabalho"

O Arsenal não está fazer uma boa campanha na Premier League...

O Arsenal é uma equipa feita para jogar para os cinco primeiros lugares da Premier League. Não está lá, mas estão os jogadores. Tem muitos argumentos e está a fazer desta competição a possibilidade de se apurar para a Champions [por via da conquista da Liga Europa]. Temos capacidade para jogar na Grécia olhos nos olhos para que a nossa equipa seja apurada.

Para este jogo, vai manter uma linha de três centrais no setor defensivo ou vai alterar para uma linha de quatro jogadores?

Ainda não decidi. Depende muito dos jogadores do Arsenal que joguem na frente. A equipa esteve forte defensivamente na primeira mão. O corredor central do Arsenal é muito forte. Para amanhã [quinta-feira], as coisas podem não ser iguais no lançamento do jogo.

Neste jogo o Benfica golos. É preciso haver um desbloqueio mental para que a equipa marque e possa seguir em frente?

A equipa tem marcado na Liga Europa. Empatámos 1-1 na 1.ª mão com o Arsenal, mas estivemos em vantagem. Foi de grande penalidade? Foi! Mas também só temos golos de grande penalidade na Liga Europa, no Campeonato não temos nenhum. Temos capacidade para fazer o golo e é fundamental para o nosso apuramento irmos atrás desse golo.

Jorge Jesus

O que tem faltado a este Benfica que não faltou na sua primeira passagem no Clube?

O Benfica, durante estes dois meses, foi alvo de críticas injustas, e passo a explicar… Como treinador do Benfica serei sempre responsável pelos bons e maus resultados, quando tiver alguma responsabilidade. 'És treinador do Benfica e não tens a ver com esta crise?' Não, não tenho a ver, porque eu não treinava os jogadores. Estavam doentes! No início de janeiro, o Benfica era segundo, a dois ou três pontos do Sporting; em janeiro, o Benfica teve 12 jogadores com COVID-19, dos quais 6/7 habitualmente jogavam [a titular]. Inclusivamente, a equipa técnica teve várias sessões de trabalho, 15/20, que não deu à equipa. Os jogadores são monitorizados em todos os treinos e jogos; sabemos o rendimento e a intensidade com que o jogador treina ou joga. Está aqui um jogador [Pizzi] que teve COVID-19. Perguntem-lhe quantos mais dias esteve em dificuldades após recuperar. Portanto, vou sempre assumir a minha responsabilidade, quando não houver resultados. Esta crise nada tem a ver comigo, porque não os treinava.

"Vamos disputar esta eliminatória, acreditando que podemos passar"

Disseram que os meus jogadores não corriam e não suavam a camisola. Como? Eles vinham de uma doença. Andámos nisto durante dois meses! Depois do jogo com o FC Porto, tivemos 10 jogadores com COVID-19, mais 16 do staff. Vinte e seis pessoas numa semana. Tivemos uma equipa técnica sem dar treino vários dias. Neste momento, penso que os jogadores do Benfica precisam de carinho e não de dúvidas. O Benfica devia estar junto! O treinador, o Presidente e os jogadores não conseguem controlar um surto. Claro que tivemos culpa em algumas coisas, mas chega de me responsabilizarem e de responsabilizarem o Presidente do Benfica, que nem treina. E com os jogadores do Benfica é igual, porque alguns tiveram de jogar passados 12 ou 13 dias, e depois diziam-me, no final do jogo: 'Míster, estou muito diferente. Isto ainda marca'. Sabemos qual foi o motivo que nos levou a esta crise. A 2 de fevereiro acabou a COVID-19 no Benfica. Os últimos a ter foram o Helton Leite e o Odysseas. A partir dessa data começámos a trabalhar juntos regularmente.

Neste último jogo, com o Arsenal, tivemos cinco jogadores a correr mais de 10 quilómetros. Nunca tinha acontecido, porque não era possível. Agora já é. Chegou o limite! 'O treinador vai sair pelo seu pé?' O quê? Isto não tem nada a ver comigo! Vim para o Benfica porque acredito no projeto do Presidente. [As infeções] Começaram a 23 de novembro, com três jogadores: Adel [Taarabt], Darwin e Julian [Weigl]. O foco maior dá-se em janeiro. Assumo a minha responsabilidade como treinador, se o Benfica estivesse como está, mas se tivesse treinado os jogadores e eles tivessem condições físicas e atléticas para o fazer. Não tiveram. Quando me perguntam se saio pelo meu pé... não saio! Eu, treinador, e os jogadores não somos responsáveis por esta pandemia! Uma coisa é ter COVID-19 e estar em casa, outra coisa é ter COVID-19 e ter de correr em alta intensidade. Disseram-me agora que vai haver um buzinão por causa da crise no Benfica. Devia era haver um buzinão para nos dar carinho, a mim, aos jogadores e ao Presidente. Isso é que deviam fazer. Não sabem o que sofremos durante dois meses e meio.

Jorge Jesus

O que pode prometer aos adeptos, principalmente na Liga Europa?

Vamos melhorar. Os sinais do jogo com o Arsenal… a capacidade física dos jogadores é monitorizada. A minha equipa técnica sabe quantos quilómetros os jogadores correm, quanto metros fazem a andar, quantos sprints dão. Sabemos a intensidade do jogador. A equipa está a melhorar fisicamente, mas psicologicamente ficou marcada. Estamos a muitos pontos do 1.º classificado [da Liga NOS], mas ainda há muito para ganhar. Tivemos à volta de 50 pessoas aqui dentro [Benfica Campus] com COVID-19. Sabem o que é vir trabalhar e pensar: ‘será que vou apanhar COVID-19 e levo para casa’? Sabem o que é ter os jogadores em casa e não poder falar com eles? Sabem o que é andar dois meses nesta confusão? Têm de escrever, eu percebo. O Benfica e o Jorge Jesus vendem muito [jornais]. A responsabilidade dos jogadores do Benfica nesta crise é zero! Não deram mais porque não puderam. Vejo Benfiquistas nas televisões que só nos agridem, não nos dão uma palavra de conforto e carinho para passarmos esta fase. Eu não digo que não falho. Todos os treinadores falham. Agora, em relação ao Benfica não falhei! E poucas vezes falho.

"Precisamos do apoio dos Benfiquistas. É para eles que trabalhamos e tentamos melhorar"

Esperava mais apoio público por parte da Direção, até para acabar com muito do que tem sido dito externamente? Está feliz no Benfica?

Ainda ontem [terça-feira], eu, o Rui Costa e o Presidente estivemos reunidos, como fazemos constantemente, para vermos como podemos sair desta crise de resultados. Acreditamos muito no que podemos fazer, sabendo que o Campeonato está difícil, mas não atiramos a toalha ao chão. A imunidade de grupo chegou ao plantel. A ser verdade, durante três ou quatro meses não vamos ter casos de COVID-19. Vamos trabalhar de forma normal, com intensidade, com os jogadores a terem saúde. Assim, posso melhorar a qualidade individual dos jogadores. Como? Com treino, coisa que não pude fazer durante algum tempo. Falando diretamente para a Nação Benfiquista: percebam o que estou a dizer. Acarinhem a equipa! Não somos culpados destes resultados desportivos, porque nada tiveram a ver com incapacidade de trabalho. É para eles que trabalhamos e tentamos ser melhores. Precisamos do apoio dos Benfiquistas. Os jogadores precisam de sentir carinho. Vim para o Benfica porque acreditei no projeto do Benfica, e continuo a acreditar. No Flamengo só não ganhámos o Mundial de Clubes. Em relação ao que o Benfica está a passar, não tem a ver com falta de qualidade, seja minha, dos jogadores, da estrutura… Estão sempre a falar de estrutura. Parece que o Rui Costa não sabe liderar uma estrutura, com jogadores e treinador; e o treinador também não sabe; e o Presidente, que recuperou este Clube, também não. Claro que estou feliz no Benfica! Totalmente, não estou, porque vim para ser campeão, vim para trabalhar com os jogadores e fui impedido pela pandemia. Agora, constantemente a ouvir críticas nas televisões… isso não me deixa feliz, como é óbvio. Ninguém vê a verdade?

Texto: Marco Rebelo
Fotos: Tânia Paulo / SL Benfica
Última atualização: 25 de fevereiro de 2021

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